terça-feira, agosto 25

MATÉRIA MAIS CRUZEIRO - [ 31/07 ] por Juliana Simonetti


Os embalos de sexta à noite


Espaço Terceiro Andar une balada e cultura sorocabana; The Name faz show hoje e Marcos Alb mostra suas pinturas
Madrugada de sexta para sábado: enquanto uns desatam uma conversa no bar e outros caem na pista de dança, alguns aproveitam para apreciar uma exposição de artes visuais, para ler revistas de moda, turismo ou até fofoca (alguns exemplares datam da década de 80!) e, quem sabe, para pegar uma sessãozinha de cinema com direito a sofá, tapetes e pufes aconchegantes (e às vezes, até pipoca). Tudo isso no mesmo espaço e, o mais interessante, em Sorocaba. Assim é o Terceiro Andar, que completa um ano na cidade em setembro, com uma proposta de unir no mesmo local a balada e a cultura sorocabana. Tudo começou quando reuníamos amigos para conversar, trocar ideias, falar sobre cultura em geral e nos divertir. Os amigos foram chamando os seu amigos e a coisa foi ganhando corpo, explica Rosane Guariglia, idealizadora do espaço.
Guardadas as devidas proporções, a ideia lembra um pouco o estúdio Factory, ateliê criado na década de 60 em Nova York por Andy Wahrol, que virou um point entre artistas e interessados pela cultura pop que promoviam glamourosas festas à noite no local. Artistas plásticos como Basquiat e Keith Haring e a banda The Velvet Underground foram crias da Factory e viviam circulando por lá. Alternativo já é um termo desgastado. Preferimos falar em espaço colaborativo, já que nosso objetivo é abrir as portas para os artistas da cidade colaborarem com suas ideias. Somos, além de balada, mais um espaço para fomentar a cultura na cidade, explica Rosane.
A estrutura física do lugar também é mais um dos diferenciais: entre as tantas escadas do prédio de cinco andares (o nome terceiro andar surgiu pois foi nesse espaço que tudo começou) os espaços são distribuídos em nove ambientes diferentes - do lounge ao quartinho da pipoca. No inverno, a galera pode pegar uma pipoquinha e ficar assistindo aos vídeos. No verão, oferecemos sorvete de graça, reitera Fernanda Paes, proprietária do espaço.
A decoração, que muda frequentemente (o mesmo corredor já teve estampas de zebra, vaca e agora está com códigos de barra), aposta, segundo Guariglia, numa releitura dos anos 80 com uma pitada kitsch: abajur em forma de sapato feminino, figuras indianas, lustres em forma de castiçais, muita zebrinha e oncinha, pufes, tapetes e, obviamente, neon. Na verdade, pegamos os móveis que tínhamos em casa e fomos montando isso aqui. Tirei até os lustres da minha casa. Uma loucura, salienta Rosane, que trouxe toda sua bagagem em produção de moda, de festas e cenários de teatro (muitas delas realizadas na Capital) para o Terceiro Andar.
Atualmente, as noites no espaço reúnem cerca de 300 pessoas. Tinha muita gente que acabava indo para a Capital atrás de espaços diferentes para curtir a noite. Esse é o tipo de público que se identifica com o Terceiro. Hoje, aliás, tem até gente da Capital vindo se divertir por aqui. Isso é muito legal, destaca Rosane.

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